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DJ Azul Forum Brasil

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DJ Azul Forum Brasil - Treiler

"""" Mais um adeus a Rainha do Rap """

22 de mar. de 2010

Com uma vida nada fácil, ela foi a primeira a esmurrar a porta do barraco brasileiro e anunciar as mulheres no rap. Uma mina de fato, como poucas dentro do hip hop.
A atitude e a força na voz a fazem a “Rainha do Rap”, eternizada mesmo após a confirmação da sua morte às 23h30 de sexta-feira (19).
Vítima de uma infecção hospitalar após o parto da filha no último dia 2 de março, Dina Di deixou o mundo que nem sempre lhe foi o melhor lugar e partiu.
No legado ela deixa o estilo e a rima na ponta da língua. Tinha o rapper na carne e transformava as feridas arrombadas em letras.
Dos CDs gravados, ficou conhecida após se apresentar como “a noiva de chuck” e o casamento só aconteceu há pouco tempo.
Conheceu o hip hop aos 16 anos e escondida em roupas largas e bonés, apresentou as primeiras rimas, sempre defedendo o universo feminina.
Morreu após dar a luz, na maior representação feminina que existe, o parto e o nascimento de um filho. Por ser conhecida, tem a história divulgada.
Vítima de mais um sistema de saúde falido no nosso país.
Com a visão que tinha da rua, montou um grupo de mesmo nome e gravou três CDs que ganharam os guetos rapidamente.
Entre as vozes femininas do rap, Dina Di foi quem mais levantou a bandeira do movimento. Vítima do próprio sistema que tenta combater, viveu uma vida literalmente à margem da sociedade.
Não teve tempo de amamentar a filha como deveria e nem de vê-la crescer. Deixou mais uma, entre as milhares do Brasil, criança sem mãe neste país que não é pátria.
Mesmo sendo quase invisível no sistema que o hip hop combate, ela foi uma denúnciua andante, conceituou o rap na carne.
Sempre teve medo de descern do palco e ver a Dina Di morrer. Antes de ir para o hospital, estava agendando shows por todo o Brasil. Não deu tempo de visitar Poços de Caldas.
Antes de se tornar conhecida, perdeu as contas de quantas vezes passou pela Febem desde que fugir de casa, aos 13 anos.
O pai de Dina Di era mestre de obras e morreu engasgado com um pedaço de carne num boteco, na periferia. A mãe dela era camelô e foi assassinada dentro de casa, uma morte lenta e dolorosa, ela foi asfixiada com um pedaço de pano que lhe enfiaram na garganta, enquanto estava amarrada com os fios do varal de roupas.
Mas, nada disso a impediu de escrever com as vísceras e alma, relatando todasas dores que a perfuram.
Certa vez uma reportagem foi finalizada com a seguinte frase: “palco, diante de milhares de sobras humanas com voz e com raiva, Dina Dee e os seus têm chance de não morrer no beco”.
Que pena que o otimismo não foi o suficiente. Ela morreu antes da hora. Se foi antes do tempo. Não ensinou tudo que podia e nem cantou tudo que queria.
Mas, talvez nós, que acompanhamos esta trajetória e sabemos das dores de sermos tachados de trapos humanos consigamos melhorar um pouco a nossa periferia, a nossa volta e não percamos mais mulheres para a saúde falida do nosso país.
Guerreira, vai com Deus, vai em paz !
Hoje o hip hop chora: paz, amor, diversão e união a todos irmãos que compartilham a mesma dor desta perda horrível ! Rainha, tá doendo muito, viu !





Serviço - Dina Di foi sepultada no Cemitério da Vila Formosa às 16h de sábado (20/03/10)

A família Hip-Hop brasileira presta sua homenagem

“Essa notícia foi um baque e deixou meu sábado muito triste. Dina Di foi uma grande representante do rap feminino e brasileiro. Uma guerreira muito importante, que fez as mulheres ganharem mais respeito na cena. Com a perda dela, todos nós perdemos um pouco da nossa força. Espero que, agora, ela consiga a paz que todos nós procuramos.”
(Thaide)

“Dina Di foi uma pessoa muito batalhadora, mãe dedicada e muito talentosa no rap. Viveu uma realidade difícil e venceu. Uma pessoa maravilhosa e de muito carisma. Tive a honra de conhecê-la e participar de eventos junto com ela, que abriu portas para outras mulheres no Hip-Hop. Desejo muita força à família dela. Fica o exemplo de uma guerreira que sempre segurou a onda.”
(Nelson Triunfo)

“Triste demais! Dina Di: mulher, irmã, mãe e grande artista. O Hip-Hop perde muito e o Brasil, mais ainda! Esteja em um bom lugar, amiga!”
(GOG, via Twitter)

“Perdi uma amiga, o RAP NACIONAL perdeu uma mulher linha de frente no que fazia. Existem perguntas sem respostas… Por que ela ? Enfrentou tantas barreiras, passou dificuldades, conquistou alguns sonhos, se converteu, casou e após um grande momento de felicidade, o nascimento de uma filha… acontece essa fatalidade. Viviane, esteja em paz! Nunca vamos nos esquecer de você e o que você fez pelo RAP”
(Mandrake – Portal Rap Nacional)

“Conheci a Vivian há 17 anos. Foi amiga, parceira, e demos muita risadas na vida. Com certeza ela irá deixar muitas saudades. Peço a Deus que tenha muito cuidado com ela. Uma grande mãe, mulher e irmã, assim é como vou definir esta guerreira chamada Dina Di. Agora, fica a lição de amar e respeitar quando se está perto, pois depois ficam somente as saudades.”
(Japão – Viela 17)

“Guerreira, pioneira, rimadora, mãe, esposa. Humana. Respeito e Paz pra Dina Di.”
(Kamau)

“Dina Di foi um incentivo moral pra todas as mulheres que estão no Rap hoje levar a diante o seu sonho, ela é a prova de que mulher também pode fazer um bom Rap, ela tem uma história de garra e muita luta, venceu vários obstáculos e sem dúvidas é e sempre será um grande ícone pra nós, tanto mulheres como também para os homens!”
(Lya – As Donnas)

“Não cheguei a conviver com a Dina Di, mas sempre fui fã dessa guerreira. Uma mulher de muita luta, fibra, que sempre foi linha de frente e nunca deixou a peteca cair. Ela foi um exemplo de poesia positiva que levou e ainda vai levar esperança para muita gente. Pena que, em vida, ela não recebeu o reconhecimento à altura do que merecia.”
(Criolo Doido)

“Para grande parte dos MCs brasileiros, e eu me incluo nesta lista, Dina Di foi e continuará sendo uma grande influência. O Visão de Rua foi um marco no rap brasileiro, principalmente pelo pioneirismo de colocar a voz feminina na cena. Ela foi uma guerreira de muita voz ativa, que nos deixa como herança músicas muito bonitas e sentimentais.”
(MC Rashid)

“Perdemos uma grande mulher, que representou muito dentro da cultura Hip-Hop, com talento e personalidade. Dina Di deixa um grande legado pras pessoas e sempre será uma forte referência na nossa cultura. Deixo meus sentimentos aos familiares e às pessoas próximas dela. Dina Di, que Deus a tenha.”
(Sombra)

“A primeira mulher que ouvi fazendo rap nacional foi a Rúbia do RPW e, na sequência, a Dina Di. Pude conhecê-la pessoalmente numa oportunidade no Rio de Janeiro, mais foi um papo rápido, em que o tempo só me permitiu dar um disco do Daganja e falar o quanto as letras delas foram importantes para minha formação no rap. Não acredito que a vida acabe com a matéria, espíritos guerreiros como o dela tendem a voltar logo. Uma pena ela não ter feito show na Bahia. Muita luz e respeito a todos.”
(Blequimobiu – Versu2)

“Esta foi uma perda grande pro rap brasileiro. Como pessoa, ela foi uma guerreira que passou por várias dificuldades de cabeça erguida. É triste vermos ela partir ainda tão jovem, mas sua mensagem e sua música nunca vão morrer. Lamento muito e espero que Deus cuide dela e conforte seus familiares.”
(Alessandro Buzo)

“Ela era não só uma voz feminina dentro do rap, mas a própria voz do rap. Uma guerreira que ajudou o rap a chegar onde está hoje e que encantou muita gente com suas letras. É muito triste perdermos uma poeta das ruas. Desejo muita força à família dela e à família que ela deixou no rap, na qual eu me incluo. Espero que ela esteja bem e, de onde estiver, sei que ela quer que o rap continue e que a gente prossiga levando o rap a sério, como ela sempre levou.”
(DJ Marco)

“Esta foi uma grande perda pro Hip-Hop. Dina Di foi uma pessoa que contribuiu muito com a cultura de rua, que trouxe uma cara feminina com poesias contundentes, reflexivas, e opinião firme. Graças a ela, as mulheres deixaram de ser coadjuvantes no rap, porque ela foi uma protagonista, uma divisora de águas no rap brasileiro e exemplo pra muita gente. Toda a Pau-de-dá-em-doido lamenta muito. E que isso sirva de alerta para o Hip-Hop valorizar as pessoas em vida, porque, perto do que ela representou e da importância que teve, o que ela conquistou foi pouco.”
(Enézimo)

“Sem sombra de dúvida, Dina Di foi a mulher que mais inspirou as meninas do Hip-Hop a seguirem não só na música, como também no engajamento político, com muita seriedade. Ela vai ser sempre a musa inspiradora de quem faz Hip-Hop de qualidade e com atitude. Esta foi uma perda terrível em um momento em que o Hip-Hop tem que se repensar. Que descanse em paz. E que seus familiares tenham força e fiquem felizes porque conviveram com uma guerreira batalhadora e iluminada, que cumpriu sua missão com muita garra e humildade.”
(Markão – DMN)

“Convivi pouco com a Dina Di, mas sei que ela teve uma história de vida difícil, perdeu a mãe de forma trágica e foi uma guerreira, prosseguiu na batalha e venceu. Agora, ela faleceu ao colocar uma filha no mundo. Torço para que essa menina siga os passos da mãe, que seja guerreira como ela, que tenha a mesma determinação e consciência. Lamento muito, mas temos que pensar que a morte é ruim só para quem fica, ela faz parte da vida. Espero que a família da Dina Di seja forte neste momento e entenda que ela fez a parte dela e deve estar em um bom lugar.”
(Zulu King Nino Brown – Universal Zulu Nation)

“Uma mulher que superou toda as adversidades da vida. Mesmo com problemas, sempre se mostrou competente com o trampo e estava feliz em ser mãe. Calaram o grito de uma grande guerreira.”
(Edd Wheeler)

“Quando eu ouvi falar de Hip-Hop, eu ouvi Dina Di. Achava incrível como uma mulher estava no mesmo nível de equidade que os homens dentro da cultura, com presença e respeito de homens e mulheres, admirei de primeira e foi essa postura que abriu caminho para outras rapperes entrarem nesta cena com respeito. Mulher de raça que amou o Hip-Hop como amou a sua própria vida. Ficamos mas próximas há um ano e comprovei o quão guerreira, verdadeira e extraordinária Dina Di foi e continuará sendo. Eu aqui no Rio de Janeiro, juntamente com todas as outras mulheres guerreiras do Brasil manteremos a memória e o trabalho da Dina Di vivos. E como a Dina gostava de pontuar: É hora de Avançar… Dina Di na Ativa!”
(Re.fem)

“Conheci a Dina Di pessoalmente em 2003. Apesar de estar sempre com a cara fechada em seus sons e videos, ela era uma mulher de bom coração. Em novembro, no Hutuz 2009, foi a última vez que conversei com ela, as expectativas dela para o 2010 eram as melhores possíveis. Infelizmente ela se foi, infelizmente pessoas de bom coração sempre se vão bem cedo. Deixou para todos o seu legado, suas músicas e mostrou que mesmo entre pedras, lama, cascalho, sempre é possível o nascimento de uma flor. Desejo Luz para esta passagem dela e inteligência para as pessoas que ficaram e estarão conduzindo a vida dos menores que ela deixou. Oracões são sempre bem vindas neste momento.”
(B.Dog – Rapevolusom)

“Dina Di não foi a primeria mulher a cantar Rap, mas com certeza foi a que mais se destacou. Rompeu barreiras, como mulher, com a música e mostrou para toda uma geração do Rap, que uma mulher pode fazer o que imaginar. Teve um vida que daria um filme e foi uma das artistas mais autênticas que conheci. Escrevendo uma letra de Rap foi um dos maiores talentos que já vi. Apesar da sua habilidade para outros ritmos musicais sempre apostou e insistiu pelo Rap. Um exemplo de luta e de um trabalho bem feito. Que infelizmente se foi quando sua vida finalmente tinha se tornado mais tranquila. Fazer letras como a Viviane é para poucos seja homem ou mulher. Uma perda incomparável para o Rap. Descanse em paz, depois de uma vida de muitas tristezas. Força e Luz para o Thok e sua familia.”
(Alexandre de Maio)

“… morreu frágil, sem implorar. feito flor que rasteja, mas que a primavera não pode humilhar.” Escrevi p/ minha mãe, mas serve p/ Dina.

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